domingo, 10 de agosto de 2014

FAMÍLIA, CONCEITO E CONCEPÇÃO HISTÓRICA

                         FAMÍLIA, CONCEITO E CONCEPÇÃO HISTÓRICA
Grupamento de raça de caracteres e gêneros semelhantes resultado de agregações afins, a família, genericamente representa o clã social ou sintonia por identidade que reúne os espécimes dentro da mesma classificação. Juridicamente, porém, a família deriva-se da união de dois seres que se elegem para uma vida em comum, através de um contrato, dando origem à genitora da mesma espécie. Pequena república fundamental para o equilíbrio da grande república humana representada pela nação.
A família tem suas próprias leis, que consolidam as regras de bom comportamento dentro do impositivo respeito ético, recíproco entre seus membros, favorável a perfeita harmonia que deve vigorar sob o mesmo teto em que se agasalham os que se consorciam.
Animal social, naturalmente monogâmico, o homem na sua generalidade, somente se realiza quando comparte necessidades e aspirações na conjuntura elevada do lar.
O lar, no entanto, pode não ser configurado como a edificação material, capaz de oferecer segurança e paz aos que aí se resguardam. A casa são a argamassas, os tijolos, a cobertura, os alicerces e os móveis, enquanto lar são a renúncia e a dedicação, o silêncio e o zelo que se permitem aqueles que se vinculam pela eleição afetiva, ou através do impositivo consanguíneo decorrente da união.
A família, em razão disso, é o grupo de Espíritos normalmente necessitados, desajustados, em compromisso inadiável para a reparação, graças à contingência reencarnatória. Assim, famílias espirituais frequentemente se reúnem na Terra em domicílios físicos diferentes, para a as realizações nobres com que sempre se viram a braços e construtores do Mundo. Retornam ao mesmo grupamento consanguíneo os Espíritos afins, a cuja oportunidade às vezes preferem renunciar, de modo a concederem aos desafetos e rebeldes do passado o ensejo da necessária evolução, da qual fruirão, após as renúncias às demoradas uniões no Mundo Espiritual.
Modernamente, ante a precipitação dos conceitos que generalizam na vulgaridade e nos valores éticos, tem-se a impressão que paira rude ameaça sobre a estabilidade da família. Mais do que nunca, porém o conjunto doméstico deve se impor para a sobrevivência a benefício da soberania da própria Humanidade.
A família é mais do que um resultado genético... São os ideais, os sonhos, os anelos, as lutas e árduas tarefas, os sofrimentos, as aspirações, as tradições morais elevadas que se cimentam nos liames da concessão divina, no mesmo grupamento doméstico onde medram as nobres expressões da elevação espiritual na Terra.
Quando entra em crise, por esta ou aquela razão, sem dúvida a sociedade está a um passo do malogro...


Histórico - Graças ao instinto gregário, o homem, por exigência da preservação da vida, viu-se conduzido à necessidade da cooperação recíproca, a fim de sobreviver em face das ásperas circunstâncias nos lugares onde foi colocado para evoluir. A união nas necessidades inspirou as soluções para os múltiplos problemas decorrentes do aparente desaparelhamento que o fazia sofrer ao lutar contra os múltiplos fatores negativos que havia por bem superar.
Formando os primitivos agrupamentos em semibárbaro, nasceram os pró domos das eleições afetivas, da defesa dos dependentes e submissos, surgindo os lampejos da aglutinação familiar.
Dos tempos primitivos aos da civilização da Antiguidade Oriental, os valores culturais impuseram lentamente as regras de comportamento em relação aos pais – representativos dos legisladores, personificados pelos anciãos; destes para os filhos - pela fragilidade e dependência que inspiram.; entre irmãos – pela convivência pacífica indispensável à fortaleza da espécie; ou reciprocamente entre os mais próximos, embora não subalternos ao mesmo teto, num desdobramento do próprio clã, ensaiando os passos da direção da família dilatada...
A Grécia, aturdida pela hegemonia militar espartana, não considerou devidamente a união familiar, o que motivou a sua destruição, ressalvada Atenas, que não obstante amando a arte e a beleza, reservava ao Estado e os deveres pertencentes à família, facultando-lhe sobreviver por tempo maior, mas não obrigando atingir o programa estético e superior a que se propuseram os seus excelentes filósofos.
A Roma, coube essa declinável tarefa, a princípio reservada ao patriarcado e, depois, através das lei coordenadas pelo Senado, que alcançaram as classes agrícolas, militares, artísticas e a plebe, facultando direitos e deveres, que embora as hediondas e infelizes guerras, se foram fixando no substrato social e estabelecendo os convênios que o amor sancionou e fixou como técnica e segura de dignificação do próprio homem, no conjunto da família.
A Idade Média, caracterizada pela supremacia da ignorância desfigurou a família com o impositivo de serem doados os filhos à Igreja e ao suserano dominador, enfraquecendo por séculos a marcha do espírito humano.
Aos enciclopedistas foi reservada a grandiosa missão de, estabelecendo os códigos dos direitos humanos, reestruturarem a família em bases de respeito para a felicidade das criaturas.
Todavia, a dialética materialista e os modernos conceitos sensualistas, proscrevendo o matrimônio e prevendo o amor livre, voltam a investir contra a organização familiar por meio de métodos aberrantes, transitórios, é certo, mas não conseguirão, em absoluto, qualquer triunfo significativo.
São da natureza humana a fidelidade, a cooperação e a fraternidade como pálidas manifestações do amor em desdobramento eficaz. Tais valores se agasalham, sem dúvida, no lar, no seio da família, onde se arregimentam forças morais e se caldeiam sentimentos na oficina da convivência doméstica.
Apesar de a poliandria (casamento de uma mulher com vários homens) haver gerado o matriarcado e a promiscuidade sexual feminina, a poligamia, elegendo o patriarcado, não foi de menos infelizes consequências.
Segundo o eminente jurista suíço Bachofen, que procedeu a pesquisas históricas inigualáveis sobre o problema da poliandria, a mulher sentiu-se repugnada e vencida pela vulgaridade e abuso sexual, de cuja atitude surgiriria o regime monogâmico, que ora, é aceito por quase todos os povos da Terra.
Conclusão – A família, todavia, para lograr a finalidade de que a se destina, deve começar desde os primeiros arroubos da busca afetiva, em que as realizações morais devem sublevar as sensações sexuais de breve durabilidade.
Quando os jovens resolvem consorcia-se, impelidos pelas imposições carnais, a futura família já padece da ameaça grave, porquanto em nenhuma estrutura se fundamenta para resistir aos naturais embates que a união a dois acarreta, no plano do ajustamento emocional e social, complicando-se, naturalmente, quando do surgimento da prole.
Antigamente, se falava sobre a necessidade dos exames pré-nupciais, sem dúvida necessários, mas com lamentável descaso pela preparação psicológica dos futuros nubentes em relação aos encargos e às responsabilidades esponsalícias e familiares.
A Doutrina Espírita, atualizando a lição evangélica, descortina na família esclarecida espiritualmente a Humanidade ditosa do futuro promissor.
Sustentá-la nos ensinamentos do Cristo e nas lições da reta conduta, apesar da loucura generalizada que surge em toda parte, é o mínimo dever de que ninguém pode se eximir.

Joanna de Ângelis, SOS Família.

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